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Nossos avós, nossas flores Imprimir

A alegria dos pais são os filhos dos filhos.

 

Assim como não se plantam mais flores, assim não sorriem mais nossos avós. Como era lindo passar na frente das casas, e ver o pátio cheio de flores. Seu néctar atraía as abelhas que com alegria agradeciam pelo mel. As flores no jardim lembravam a alegria que existia naquela casa. As janelas se abriam de manhã ao som dos passarinhos, que cantavam nas árvores em volta do jardim. Não era difícil ver - quase todos os dias - a dona de casa limpando o jardim, escolhendo e transplantando flores. Quando os vizinhos passavam, recebiam um bom dia com um sorriso no rosto, e um desejo de felicidade aos amigos, que dificilmente conseguiam passar sem dar uma paradinha.

 

Entre as flores, borboletas e abelhas, os nonos sentavam para conversar. Ali estavam os nonos; Felizes, com saúde, e com um monte de histórias para contar aos netos sentados em seu colo, saboreando alguns doces que os nonos sempre tinham para dar.

 

Como gostaria de continuar escrevendo sobre o perfume das flores, e da alegria dos pais pelos filhos de seus filhos. Mas, infelizmente, as flores murcharam. Já não existem, e nada pode ser feito. Em lugar das flores: inço. Em lugar do banquinho de madeira e da cadeira de balanço: nada. Em lugar do sorriso e do bom dia: cercas altas e janelas fechadas. Os passarinhos já não cantam, pois não são bem vindos, afinal, por que estariam cantando?

 

Os netos! Onde estarão os netos para sentarem no colo dos nonos? Por que não aparecem? Será que estão tão ocupados que não enxergam que um dia também ficarão velhos, e que os nonos já foram crianças. E mesmo que alguns netos venham a sentarem-se no colo dos nonos, eles não entendem nada de computador, e nem de vídeo game!

 

Já não existe diálogo. Para os netos, os nonos são ultrapassados e descartáveis. Os jovens cultuam a beleza, a jovialidade e o esplendor físico. Eles não suportam as rugas da velhice, e nem os cabelos brancos do passado, mesmo que estejam diante de seu futuro, preferem ignorar.

 

Queira o bom Deus, que os nonos plantem flores, muitas flores. As abelhas certamente vão aparecer; os pássaros também. E vão cantar, e muito. As borboletas certamente não vão querer ficar de fora, e eu e você passaremos para ver as flores e dizer aos nonos: Bom Dia! Feliz dia dos nonos!